Dos três cérebros que compõem nosso microcosmo — o corpo, a mente e o coração — o corpo é aquele que compartilhamos com os animais. Embora de forma e habilidade diferentes, nosso corpo digere comida, respira ar e circula o sangue exatamente da mesma maneira que qualquer outro mamífero. O mesmo não pode ser dito da mente e do coração, que funcionam com muito mais sofisticação na humanidade. Assim, sendo o corpo o cérebro que compartilhamos com os animais, tomamos a colheita do feno para simbolizar o ponto em nosso ciclo anual em que observamos nossos corpos físicos.

Para facilitar essa observação, nossos corpos são divididos nas funções “instintiva” e “motora”. “Todas as funções instintivas são inerentes”, explica Peter Ouspensky. “Não há necessidade de aprendê-las para usá-las; porém nenhuma das funções motoras é inerente e é preciso aprendê-las todas quando a criança aprende a andar”. Em maio, o feno cresce espontaneamente sem a necessidade de intervenção humana. Nosso fazendeiro é mostrado conduzindo seu cavalo para se alimentar de pastos verdes. Isso não pode realmente ser chamado de agricultura; a agricultura será retomada apenas no próximo mês, quando o feno terá que ser colhido, empacotado e preservado para a época do ano em que ele não estará disponível. Essa aparência natural do feno se assemelha à funcionalidade natural de nossas funções instintivas no nascimento. Portanto, durante o mês de maio, nos concentramos em observar a parte instintiva de nossos corpos: nossos centros instintivos.

O centro instintivo é responsável por preservar nosso corpo físico, tanto no dia-a-dia quanto na escala de nossa vida. No dia-a-dia, ele garante que comamos, bebamos, respiremos, descansemos e assim por diante, a fim de manter o bom funcionamento de nosso corpo. Nessa escala, sua atividade pode ser observada fotografando “eus” de fome, sede, cansaço, vigor, etc. Entretanto, se esses “eus” não são prontamente apaziguados, logo afetam o resto de nossa psicologia gerando melancolia, frustração, impaciência, etc.. Essas consequências indiretas de nosso centro instintivo são mais sutis e difíceis de serem observadas. O mais sutil de tudo é o sentido mais amplo do nosso centro instintivo de preservação, monitorando nosso gasto de energia, calculando com quem pode ser benéfico se associar e, em geral, determinar como levar nossas vidas do ponto de vista da sobrevivência. Neste caso, ele facilmente interfere na jurisdição de todos os outros centros, levando Ouspensky a concluir que o centro instintivo é a “mente por trás de todo o trabalho do organismo, uma mente bem diferente da mente intelectual”.

Para Ser devo estender minha consciência para além das minhas necessidades instintivas imediatas. A esse respeito, o centro instintivo representa a força contrária para a lembrança de si mesmo, não de forma maliciosa, mas simplesmente se focalizando naquilo em que foi criado para se focalizar: a autopreservação. Tendo isso em mente, observe seu centro instintivo. Tente fotografar seus traços mais óbvios e depois continue com os mais sutis. Onde você acha que ele desafia seu trabalho? Como você pode habilmente contrabalançar esses desafios? Este é o nosso trabalho para maio. Compartilhe suas observações nos comentários abaixo.