WhatsApp + 55 (11) 94833-8783

Como podemos trabalhar com um hábito bem estabelecido? Suponha que eu descubra que o medo do futuro é uma emoção negativa predominante na minha psicologia. Ele inventa regularmente cenários imaginários de catástrofe que me afastam da realidade e impedem minha capacidade de Ser. Meu desejo de trabalhar com esse hábito introduz uma nova força ativa no meu trabalho, mas a inércia de ter passado anos vivendo com medo se opõe a esta iniciativa e atua como força passiva. Essas duas forças se contrapõem e isso gera um impasse. Isso gera a auto-observação, mas não provoca mudanças. O medo permanece, e minha incapacidade de enfrentá-lo só produz culpa, frustração, auto-depreciação. Para mudar, o conflito das duas forças é insuficiente; uma terceira força neutralizante deve intervir.

O conhecimento geralmente fornece essa intervenção. Quanto mais eu vejo e sofro por causa de meu medo, mais aberto me tornarei para receber novos conhecimentos. Talvez, no meio da minha frustração, eu leio algo e percebo que a raiz da negatividade está em mim mesmo, não em circunstâncias externas. Isso me ajuda a pensar no meu medo de uma maneira nova. Ou talvez eu veja alguém que compartilha essa fraqueza e testemunhe o ridículo de seu estado. Isso me ajuda a pensar no meu medo de uma maneira nova. Ou talvez um amigo me conte algo sobre seu próprio medo, como ele o descobriu, o confrontou e o minimizou com sucesso. Isso me ajuda a pensar no meu medo de uma maneira nova. A nova maneira de pensar intervém e abre uma porta. Sou vítima tanto do meu pensamento errado como do meu medo.

“Nós não percebemos o poder enorme da nossa maneira de pensar”, diz Peter Ouspensky . “Se sempre pensamos corretamente sobre certas coisas, podemos tornar isso permanente; isso cresce até se tornar em uma atitude permanente”. O novo conhecimento é uma semente que gera o pensamento correto. Por isso, nosso progresso neste trabalho está diretamente relacionado à nossa absorção de novos conhecimentos. O pensamento correto utiliza nosso centro intelectual para nossos objetivos e representa um uso adequado desse cérebro. “É impossível impedir que nossa mente, que está sempre em movimento, tenha pensamentos”, diz João Cassiano da Filocália, “porém está em nosso poder alimentá-la com conhecimento espiritual ou com preocupações mundanas”. Nossas mentes são feitas para pensar corretamente absorvendo conhecimento objetivo; o conhecimento objetivo é o pão nosso de cada dia.

O trabalho de julho apresenta a colheita de trigo, o ingrediente básico do pão e a segunda das três colheitas anuais simbólicas. A colheita de feno de junho representa sustento para nosso corpo e a colheita de uvas de setembro representa sustento para nosso coração. Julho chama nossa atenção a considerar o que significa sustentar nossas mentes, alimentá-las com conhecimento objetivo, aproveitá-las para esse trabalho e, em geral, o que significa trabalhar em nossos centros intelectuais.

“Trabalhar no intelecto significa pensar de uma maneira nova”, diz Peter Ouspensky, “criando novos pontos de vista, destruindo ilusões”. Retornando ao exemplo inicial, o medo do futuro é baseado no pensamento distorcido. Distorce a escala aumentando os poucos infortúnios do meu passado e ignorando as muitas bênçãos que tivemos. Distorce a verificação presumindo que não conseguirei trabalhar com uma catástrofe apesar de sempre ter sobrevivido às provas no passado. Distorce a compreensão ao propor que existe uma maneira de crescer sem ser pressionado, sem ser testado, sem transformar o sofrimento. Até que eu aborde essas distorções, continuarei paralisado continuamente pelo medo, apesar do meu desejo de enfrentar esse hábito.

Escolha uma área de trabalho atual, um hábito atual que você está tendo dificuldade em entender. Que ilusões mantêm este hábito vivo?