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Esta postagem foi escrita por José Arnaldo

O trabalho de junho nos convida a rever nossos entendimentos acerca do corpo físico e a preservá-los, a procurar verificar o que já foi possível realizar e começar os primeiros momentos da colheita, conforme a postagem do Asaf para este mês: “Desde que formulamos uma meta em janeiro deste ano (ou desde que você se juntou a este trabalho), o que você entendeu sobre o corpo físico e sua relação com a sua meta? Se você não incluir o que você aprendeu em seus esforços atuais, então você está negligenciando sua colheita”. “O que você aprendeu sobre a pressa, sobre estar presente durante as comidas, ou como fazer o trabalho quando está cansado?”

Pretendo então incluir aqui algo do que foi possível aprender com meus esforços atuais relacionados à pressa e à expressão de emoções negativas no trânsito.

Uma das metas que estabeleci para mim foi reduzir a expressão de emoções negativas no trânsito. Fazendo observações neste sentido, percebi que possuía vários “eus” que se apressam demais quando estou dirigindo. Rumi nos diz que “a pressa é uma dádiva de Satã” e realmente percebi que a pressa me dominava e trazia várias repercussões. Estes “eus” de pressa no trânsito me levaram a um estado de mecanicidade muito grande, tanto que já estava mesmo incomodando minha família quando estavam comigo no veículo.

A pressa é um grande empecilho para a Presença e, portanto devemos nos dedicar a observá-la e fazer esforços para evitá-la, tanto que o Gurdjieff costumava dizer “Nunca se apresse”. Quando certa vez um estudante perguntou: “E se a minha casa estiver pegando fogo?” ele respondeu “Então você tem que correr, mas não se apresse”.

Constatei que a minha condução era muito desatenta (a parte mecânica do centro motor), de forma que em muitas situações não observava radares de velocidade, etc. A pressa me levava também a uma identificação maior com as atividades cotidianas e a busca de realiza-las impreterivelmente no horário programado o que me levava a dirigir quase agressivamente. Percebi também que esta pressa estava presente mesmo quando não havia compromisso nenhum a cumprir com horário marcado, ou seja, estava sempre a dirigir com pressa independente da situação. Também notei que diante da pressa minha máquina se torna extremamente competitiva no trânsito. Assim, qualquer atitude dos outros motoristas me leva à expressão de emoções negativas de raiva, ressentimentos, vaidade por achar que dirijo melhor, etc. Outro aspecto que foi possível constatar foi o que diz Ouspensky, que para dar o passo seguinte é necessário: “compreendermos o quanto é desagradável e perigoso ser uma máquina”, pois em muitos momentos a pressa juntamente com as emoções negativas me levaram a atos de imprudência, até mesmo colocando em risco minha vida.

Na relação com o corpo constatei claramente ainda, que a pressa e a manifestação de emoções negativas no trânsito me levavam a um desgaste muito grande de energia, pois chegava em casa mal-humorado, nervoso, estressado, muito cansado e com muita tensão nos membros e inclusive dores, ou seja, o meu corpo ressentia estes estados negativos.

Mas diante da proposta de me observar comecei a perceber, com o tempo, o que Rodney Collin diz: “Quarenta dias… representam um período definido em que certas coisas podem ser alcançadas, amadurecidas ou fixadas”.  Realmente constatei que à medida que ia me observando e procurando diminuir a pressa e a expressão de emoções negativas passei a ficar mais tranquilo no transito. Tenho procurado desenvolver algumas estratégias para que isto ocorra: manter uma carta com o Rei de Copas no painel do carro, mudar o banco de lugar, ouvir música clássica enquanto dirijo, ou seja, fazer da rotina um ritual. Desta forma foi possível perceber que, conforme disse o Asaf: “Fazer esforços para ser mais atento em um centro estimulará o mesmo em todos os outros centros”. Além disso, as atitudes de outros motoristas passaram a não me incomodar tanto. Percebi também que ao final do dia havia menos desgaste de energia e chegava em casa menos estressado, com menos tensão nos membros do corpo.

Poderíamos incluir discussões sobre a pressa em várias outras situações: ao comer, ao realizar leituras ou outras atividades cotidianas, e até mesmo em querer compreender algo.

Fica então o convite para comentarmos aqui nesta postagem: o que Você tem aprendido sobre a pressa?