WhatsApp + 55 (11) 94833-8783

A segunda linha oferece a capacidade de trabalhar praticamente no centro emocional e, portanto, está diretamente ligada ao que vamos buscar como comunidade em setembro e outubro: observar as emoções e usá-las como combustível.

A segunda linha de trabalho pode ser definida como o esforço intencional feito para ajudar outro membro do grupo. É a troca deliberada de informações que fazemos com outras pessoas em relação ao Trabalho Interno.

Uma das ferramentas para praticar a segunda linha de trabalho é a da “fotografia”. Fazer uma fotografia é oferecer a alguém diretamente e intencionalmente nossa própria impressão ou compreensão de uma área de trabalho, ou uma situação específica ou geral.

Jorge observa que o Marcos está comendo e falando ao mesmo tempo. Ele gentilmente salienta esse fato.

Jorge ouve o Marcos falando e contando uma estória muito complexa. No final da estória, Marcos pede ao Jorge uma opinião ou sugestão. Como o Jorge ouviu com Presença e permitiu que as impressões da estória de Marcos “penetrassem” em sua consciência, ele teve um impulso — uma visão clara — não tanto sobre a história que o Marcos contou, mas sobre um aspecto da psicologia do Marcos, da sua máquina, que o Marcos enfatizou certas coisas, voluntariamente ou não, e omitiu outras. Jorge “vê” algo que vai além da estória que ele ouviu, e comunica isso ao Marcos, tentando ser o mais delicado possível.

Ambos episódios são exemplos de “fotografia”. É mais simples e exige menos experiência fotografar um “fato externo”, uma ação; é mais complexo fotografar o mundo “interior” de outra pessoa. Qualquer um pode fotografar o Marcos falando enquanto ele come, desde que ambos tivessem o objetivo de não fazer duas coisas ao mesmo tempo; no entanto, nem todos podem fotografar a “terceira força” — isto é, o motivo — que leva o Marcos a contar sua estória.

A fotografia é “transformada” em segunda linha quando Marcos e Jorge falam sobre o que aconteceu. A segunda linha assume uma espécie de comunicação e intercâmbio de informações. Ao menos é assim que eu sempre interpretei a segunda linha de trabalho. Nela, o que um ganha o outro ganha também. Não é o Jorge quem “fotografa” o Marcos, mas o Jorge e o Marcos trocam impressões e percepções sobre uma área ou situação específica. O processo também pode começar com uma fotografia e depois se transformar em segunda linha se ambos concordarem e compartilharem determinados objetivos.

Comunicar aos outros o que foi visto, sem julgamento, amorosa e pacientemente, requer grande disciplina emocional, e é por isso que penso na “segunda linha de trabalho” como sendo uma Arte em todos os aspectos.

“O homem vê mais facilmente os defeitos de outros do que os próprios. No caminho do auto-estudo, o homem aprende ao mesmo tempo que ele também tem todos os defeitos que ele encontra nos outros… ele agora sabe que essas características também são suas. Assim, outros membros do grupo servem como um espelho no qual ele se vê. Mas para se ver nos defeitos de seus companheiros, e não apenas para ver suas falhas, ele deve vigiar e ser muito sincero consigo mesmo”.

P. D. Ouspensky

Qual você acha que é a função da segunda linha de trabalho? Qual é a sua experiência nesse sentido? Você acha que é possível fazer uma segunda linha com alguém se essaa pessoa não tiver os seus objetivos ou compreenda seu idioma? Existem “técnicas” que você aprendeu para se comunicar com os outros o mais intencionalmente possível?

Imagem: Les Très Riches Heures du Duc de Berry (Trabalho de Setembro)