Workshop Muito Barulho Por Nada

05-07 SETEMBRO 2020

$200 USD

(Parcelamento Possível)

Em resposta às atuais restrições de viagens, a comunidade portuguesa da BePeriod se reunirá para um workshop online de três dias na Messina do século XVI, tal como pintada por William Shakespeare. Nos reuniremos online a cada dia para sessões de 2 a 3 horas com intervalos. Cada sessão será concluída com um exercício prático a ser aplicado ao longo do dia. As verificações dos alunos a partir deste exercício servirão de base para a sessão seguinte.

Os trabalhos de Shakespeare têm raízes profundas. Ele utilizou-se de peças gregas e romanas antigas, mitos judaico-cristãos, e teceu-os em dramas teatrais. Usaremos os principais temas de sua peça Muito Barulho por Nada como instrução e inspiração para o autoestudo. Leia mais abaixo…

1ª Sessão – 05 DE SETEMBRO | 09:00 horas

A Cegueira do Amor e a Subjetividade da Visão

“Você notou Hero, filha de Leonato?” Cláudio pergunta a Benedito na primeira cena de Muito Barulho por Nada. “Ela é a dama mais doce que já vi.” Benedito discorda, e um diálogo se desenvolve sobre como a mesma mulher pode parecer diferente aos olhos de duas pessoas diferentes. Essa subjetividade da visão continuará ao longo da peça, levando o enredo da comédia à tragédia e de volta à comédia.

Da maneira correta, a atração é governada pela lei do destino. Mas isso não é garantido e discutiremos os vários elementos que podem fazer parte da atração durante esta sessão. Quando Dom Pedro decide reunir Cláudio e Hero, ele usa a causa e efeito para adiantar um elemento fatal. Por fim, ele é bem-sucedido, embora não sem problemas, porque não leva em consideração a lei do acidente.

O baile de máscaras do Ato II é um exemplo óbvio da cegueira da visão, neste caso deliberada. A ocasião permite que o maligno Dom João engane Cláudio, ao fazê-lo acreditar que foi traído por Dom Pedro. “Deixe cada olho negociar por si mesmo”, diz Cláudio, ao perceber a facilidade com que foi enganado. No entanto, esse mal-entendido é rapidamente corrigido e Cláudio e Hero ficam noivos. Dom João trama um novo engano, novamente fazendo as coisas parecerem diferentes do que são. Ele planeja fazer Hero parecer desleal aos olhos de seu novo noivo, Cláudio.

A lei do acidente governa o nosso devaneio e pensamento associativo. Concluiremos esta sessão estabelecendo a meta de observar as manifestações da lei do acidente em nosso dia a dia.

Muito Barulho por Nada Introdução de Página Inteira

O que pode acontecer conosco depende de três causas: do acidente, do destino ou da nossa própria vontade… acidentes não podem ser previstos. Hoje o homem é um, amanhã ele é diferente: hoje uma coisa acontece com ele, amanhã outra.

George Gurdjieff, Fragmentos de Um Ensinamento Desconhecido

Cupido

2ª Sessão – 06 DE SETEMBRO | 09:00 horas

Perdendo o Paraíso para Valorizar o Paraíso

Húbris era uma falha trágica comum no teatro grego. Ela significava vaidade excessiva, geralmente quando o homem esquecia sua posição e se presumia igual aos deuses. Quando Dom Pedro decide fazer Beatriz e Benedito se apaixonarem, ele está desafiando o Deus Cupido, como ele próprio confessa: “Se conseguirmos isso, Cupido deixará de ser arqueiro…” Dom Pedro obtem sucesso, embora continue desavisado de uma trama diferente estabelecida por seu irmão bastardo Dom João, uma que levará o curso dos acontecimentos em uma direção trágica.

Com a ajuda de seus amigos, Dom Pedro coloca em prática sua trama de amor. Benedito, escondido no jardim, ouve Dom Pedro e seus amigos discutindo o quão profundamente Beatriz está apaixonada por ele. Depois Beatriz, enquanto também se esconde no jardim, ouve Hero e suas amigas discutindo o quão profundamente Benedito está apaixonado por ela. O esconderijo no jardim alude a Adão e Eva, que depois de comerem da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, se escondem de Deus. Isso introduz nosso segundo tema-chave: a necessidade de perder o Paraíso para valorizar o Paraíso.

Enquanto isso acontece, Dom João, com a ajuda de seus homens, também coloca em prática sua trama maligna. Sob o pretexto de ajudar a evitar um grande erro, ele diz a Cláudio que não deve se casar com Hero porque ela é desleal. Ele pode provar sua deslealdade mostrando a Cláudio e Dom Pedro como Hero recebe um visitante em seu quarto à noite. Embora Hero seja verdadeiramente leal, Dom João faz Cláudio e Dom Pedro verem algo que não existe. O plano de Dom João é bem-sucedido, embora seus homens sejam capturados pela guarda de Messina. Quando presos, eles confessam seus crimes, mas as notícias chegam tarde demais para alertar as partes envolvidas. No casamento da manhã seguinte, Cláudio e Dom Pedro ainda acreditam que Hero é culpada e acabam por envergonhá-la.

Concluiremos esta sessão estabelecendo a meta para observar se existe algum elemento em nós que usa a lei do acidente para nos manter adormecidos.

Evitar o perigo é muitas vezes evitar oportunidade, e quem se esconde com sucesso do diabo muitas vezes se esconde de Deus também.

Rodney Collin, A Teoria da Harmonia Consciente

3ª Sessão – 07 DE SETEMBRO | 09:00 horas

Nossos Olhos São Nossos?

O casamento em Muito Barulho marca o extremo da cegueira do amor e da subjetividade da visão. Cláudio e Dom Pedro foram enganados a acreditar que Hero é desleal. Beatriz e Benedito foram enganados a se amar. Nesta cena trágica e cômica, toda a festa de casamento é enganada. No auge, depois de jogar Hero de volta para o pai, Cláudio ressalta essa ironia ao fazer a pergunta retórica: “Nossos olhos são nossos?”

Depois de envergonharem Hero, Cláudio e Dom Pedro partem. Hero desmaia. Leonato, seu pai, a denuncia. Mas o frade que ministrou o casamento suspeita de erro e cria uma nova trama: Hero será escondida e serão publicadas notícias de que ela morreu. “Pois é tão óbvio que não valorizamos o que desfrutamos”, explica o frade, “mas faltando e perdendo, então nós valorizamos…” O paraíso deve ser perdido para ser valorizado e recuperado. Não podemos aumentar nossa valorização da consciência sem sofrer pela perda de consciência. 

O esquema de Dom João é trazido à tona e Cláudio percebe seu grave erro. Ele pergunta a Leonato, pai de Hero, como pode se arrepender por suas ações e recebe a resposta surpreendente: “como você não pode ser meu genro, seja meu sobrinho”. Leonato perdoará Cláudio com a condição de se casar com a filha de seu irmão. Ele deve fazer isso às cegas, sem vê-la até depois de confirmar seu voto no casamento. O plano de Leonato, é claro, é apresentar a verdadeira Hero a Cláudio naquela ocasião, sob o véu.

A solução para a cegueira do amor e a subjetividade da visão é não ver. Aqui Shakespeare ecoa várias tradições antigas que retratavam o mundo superior como invisível ao inferior. Invisível não significa inacessível; o superior tinha que ser alcançado por outros meios que não os sentidos. O superior é incompreensível ao inferior. E, no entanto, usamos centros inferiores para alcançar centros superiores. Como reconciliamos essa contradição? Concluiremos esta última sessão, delineando o vão entre os centros inferiores e superiores, com a meta de incorporar esta compreensão em nossos esforços diários para o Ser.

O Casamento

Desejo desistir de tudo o que posso pensar, e escolher como meu amor a única coisa que não consigo pensar. Pois Deus pode muito bem ser amado, mas Ele não pode ser pensado.

Monge Inglês Anônimo