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Estabelecendo Metas

“O que você deseja?”

“Eu quero conhecer a mim mesmo”.

“Como a sua auto-ignorância se manifesta?”

“De muitas maneiras”.

Então comece escolhendo uma dessas maneiras. Uma meta muito ampla é impraticável; uma que começa muito pequena não é emocional. Se eu quiser parar de falar desnecessariamente, devo evitar um tópico específico. Se eu quiser me tornar mais sensível aos outros, devo me concentrar em uma pessoa específica. Se eu quiser parar de julgar a todos, eu preciso detectar um estímulo específico. A guerra com o hábito é travada através de batalhas momento a momento. Ganhe uma única batalha e ganhe uma vantagem em toda a guerra. Avançamos na busca do autoconhecimento dissipando a névoa da imprecisão em torno de nós, porque buscamos conhecer a nós mesmos em primeiro lugar para que nossa meta permaneça muito clara em nossas mentes como uma inspiração e um guia.

Dezembro de 2017

No dia primeiro de janeiro deste ano, nossa comunidade estabeleceu o objetivo de sobrepor o ensinamento aos trabalhos do mês. Tendo completado este ciclo, vemos como um trabalho cresce quando adicionamos um pouco a cada dia. Gostaria de agradecer a todos os que confiaram nesta experiência, que persistiram na aplicação do significado interno de cada trabalho, e cujas verificações pessoais contribuíram para tornar esta uma escola viva. Parece que fizemos uma contribuição digna para o Quarto Caminho, o que em si é motivo de celebração. Deixe-nos levantar um copo, então – como o nosso agricultor de dezembro – para ficar sobre os ombros de nossos predecessores, usando seu legado para pavimentar o Quarto Caminho no século XXI.

Novembro de 2017

A eficácia de um novo comando não é imediata. Assim como aprender qualquer palavra nova, a repetição paciente lhe dá um peso gradual. “Um homem pensa no que significa ‘ser’”, diz George Gurdjieff. “É possível ‘ser’ de maneiras diferentes. Ele quer ‘ser’ não apenas no sentido da existência, mas no sentido da grandeza do poder. A palavra ‘ser’ adquire peso, um novo significado para ele”. Neste espírito, o terceiro e último passo do trabalho de novembro é dar peso aos nossos comandos escolhidos, o que só pode ser alcançado aplicando-os repetidamente e pacientemente no momento do teste. A repetição gradualmente lhes atribuirá o significado designado.

O gosto de um estado superior

Senti que essa reunião tornou algo possível. As pessoas que antes eram apenas vozes e rostos na tela do computador ganharam almas, e muitas palavras que antes eram apenas compreendidas intelectualmente ganharam significado emocional. Mas, o mais importante, verifiquei um estado superior, um estado de graça. No cristianismo ortodoxo, a graça é descrita como uma dádiva que vem de cima. Este evento de Roma me abriu para recebê-la, para ser inspirado.

Outubro de 2017

O suco de uva é um produto fraco de uma vinha e a negatividade é um produto fraco de um centro emocional. Assim como as uvas de vinho não são colhidas para fazer suco de uva, nós não devemos nos conformar com a negatividade como produto. Se trabalharmos com um sabor final em mente, então uma colheita difícil não precisa necessariamente produzir uma garrafa ruim. Em Setembro, examinamos essa colheita. Em Outubro, vamos considerar o que pode significar refiná-la em um elixir profundo. Quais emoções acelerariam nosso trabalho se pudéssemos experimentá-las com mais frequência, de forma mais duradoura e mais profunda?

A Arte da segunda linha de trabalho

A fotografia é “transformada” em segunda linha quando Marcos e Jorge falam sobre o que aconteceu. A segunda linha assume uma espécie de comunicação e intercâmbio de informações. Ao menos é assim que eu sempre interpretei a segunda linha de trabalho. Nela, o que um ganha o outro ganha também. Não é o Jorge quem “fotografa” o Marcos, mas o Jorge e o Marcos trocam impressões e percepções sobre uma área ou situação específica. O processo também pode começar com uma fotografia e depois se transformar em segunda linha se ambos concordarem e compartilharem determinados objetivos.

Setembro de 2017

Esta colheita conclui as três colheitas apresentadas no ciclo anual: o feno, o trigo e a uva. Nós associamos a colheita do feno com o trabalho com o corpo, a do trigo com o trabalho com a mente e aquela da uva com o trabalho no coração. Na sequência de Chartres, cada uma dessas colheitas é distribuída em dois meses: o feno é mostrado crescendo em maio e colhido em junho; o trigo é mostrado colhido em julho e trilhado em agosto, e a uva é mostrada cortada em setembro e colocada em barris em outubro. Este princípio de dois passos segue um padrão repetitivo. O primeiro passo apresenta o produto da natureza. O segundo passo apresenta a resposta do agricultor a esse produto. Um fazendeiro da terra, afinal, domina e refina a natureza. Do mesmo modo, um fazendeiro do Quarto Caminho domina e se refina a si mesmo, o que gera a seguinte questão: qual é o rendimento da mente, do corpo e do coração? O que é colhido no micro cosmo do homem?

O Celeiro de Agosto de 2017

“As regras buscam um objetivo definido”, diz George Gurdjieff: “elas fazem com que as pessoas se comportem como se comportariam ‘se fossem’, ou seja, se elas se lembrassem de si mesmas”. Para concluir nosso trabalho de agosto de criar aforismos, formulamos aqui um conjunto de dez regras como diretrizes para a nossa comunidade. Se cada membro trabalhasse individualmente, um conjunto de regras comuns seria desnecessário, mas para o trabalho em grupo as regras comuns devem ser formuladas, refinadas e aplicadas. Abaixo está o último rascunho de dez aforismos que podem servir como o celeiro para o baú de conselhos práticos da nossa comunidade. Convido os membros a sugerir refinamentos ou substituições na seção de comentários.

Agosto de 2017

Se não colhermos em julho, não poderemos separar o grão em agosto. Se não descobrirmos a ilusão, não podemos Ser. Neste trabalho — como em qualquer trabalho — uma coisa abre a porta para outra, enquanto a negligência de uma coisa impede a conclusão de outra. Tendo descoberto o nosso pensamento errado em julho, invariavelmente procedemos a formular o pensamento correto em seu lugar. Nosso trabalho de agosto girará em torno de peneirar o certo do errado no momento em que o hábito procura afirmar-se. Para caber no momento, nossa arma deve ser breve e potente. Nosso pensamento correto deve ser resumido na forma de um aforismo, um comando sucinto, a pedra lisa que David usou para derrubar Golias.

Julho de 2017

Como podemos trabalhar com um hábito bem estabelecido? Suponha que eu descubra que o medo do futuro é uma emoção negativa predominante na minha psicologia. Ele inventa regularmente cenários imaginários de catástrofe que me afastam da realidade e impedem minha capacidade de Ser. Meu desejo de trabalhar com esse hábito introduz uma nova força ativa no meu trabalho, mas a inércia de ter passado anos vivendo com medo se opõe a esta iniciativa e atua como força passiva. Essas duas forças se contrapõem e isso gera um impasse. Isto traz uma auto-observação, mas não provoca mudanças. O medo permanece, e minha incapacidade de enfrentá-lo só produz culpa, frustração, auto-depreciação. Para mudar, o conflito das duas forças é insuficiente; uma terceira força neutralizante deve intervir.